Aqui boa parte dos moradores vive na miséria. Muitos estão desempregados. É do improviso que eles se mantêm. Homens e mulheres fazem o que podem para sustentar a família. Muitos sequer completaram o ensino fundamental, por isso não conseguem um emprego no mercado formal. De “bico” em “bico” construíram o que chamam de casa. Cubículos com dois cômodos onde se acomodam até dezenas de pessoas. Espaço que não oferece as mínimas condições de higiene.
Os esgotos estão a céu aberto. O mau cheiro também vem da sujeira espalhada por todos os becos. Os caminhões que fazem coleta de lixo só passam na Arthur Bernardes, uma das principais rodovias da região metropolitana.
A insalubridade atrai moscas, baratas e ratos. Os riscos de contaminação são constantes. Mesmo assim, crianças brincam descalças sem temer doenças. As mães até se preocupam, mas o espaço de lazer mais próximo fica no bairro vizinho.
A distância é uma das maiores adversidades, até parece o fim do mundo. A bicicleta ainda quebra o galho. Até chegar a vez em que os moradores da Pratinha precisam apelar para os transportes coletivos, cuja maioria é clandestino.
A frota de ônibus que atende a área é insuficiente para a quantidade de usuários. Pela manhã é comum vermos cenas onde pessoas se arriscam para ganhar a vida. São muitos os trabalhadores que preferem ir pendurados, por causa da superlotação, a ter que esperar mais meia hora, em paradas descobertas, para pegar o próximo coletivo.
Os que conseguem um espaço no tão disputado meio de transporte também têm motivos para reclamar: a má conservação dos carros. O “Pratinha Presidente Vargas” é sujo e tem um criadouro de baratas. As cadeiras são quebradas e os acentos velhos. Tudo isso só não é pior que o mau cheiro, que se torna insuportável quando chove e, os passageiros são obrigados a fechar as janelas. R$1,70 parece ainda não ser o suficiente para pagar por um pouco de conforto.
A viagem até o centro é longa e cansativa. O aperto é tanto que mulheres e crianças costumam desmaiar ou sentir náuseas. O empurra – empurra machuca os pés, as mãos. E, contribui com os assaltantes que furtam as vítimas ali mesmo, sem ninguém perceber.
Se não bastasse todo esse sufoco, os motoristas têm que trafegar pela via em péssimas condições. O asfalto cedeu, dando lugar a buracos. Os prejuízos são enormes! Carros particulares constantemente apresentam problemas, e quem cobre as despesas não é o governo.
Nos dias quentes a poeira levanta, formando uma nuvem de fuligem que dificulta a visão de quem passa pelo local. E, quando chove... é tanta lama que mais parece uma pista de rally.
O que ainda não contei a vocês é que a Rodovia Arthur Bernardes faz parte do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) criado pela governadora do Estado, Ana Júlia Carepa.
O trecho que vai do aeroporto de Val de cães até a entrada da Pratinha já foi “revitalizado” quase 90%. Ainda falta a conclusão de uma pequena parte (cerca de 200 m) da pista, a ciclovia e a sinalização. Já colocaram placas, mas as faixas na pista ainda não foram pintadas.
A segunda etapa da obra é na região urbana da Pratinha e já foi iniciada. O velho asfalto foi totalmente retirado para dar lugar a um novo, mas até agora nada da conclusão do serviço! as obras estão paradas há cerca de um mês. O que gera a cada dia outras reclamações.
Enquanto o governo não toma providências, a população do bairro vive na expectativa de uma interseção divina, porque dos homens está difícil.