
Quando criança sempre temi o escuro da noite. Tinha medo de dormir sozinha; tremia só de olhar as sombras que se projetavam na parede a partir dos poucos feixes de luz que se expandiam pelas janelas do quarto.
Tinha tanto medo que me cobria dos pés a cabeça. Embora a temperatura local estivesse amena, em baixo do lençol meu corpo fervia de tanto calor, nem isso me dava coragem de pôr, se quer, o mindinho para fora.
Olhar em baixo da cama nunca! O silêncio da madrugada era ensurdecedor, um tormento para a minha vasta imaginação que me fazia ouvir barulhos estranhos.
Bicho papão, fantasma, mula sem cabeça... Eram apenas lendas, eu sabia! E não era por isso o medo... apenas não gostava do escuro, o desconhecido me assombrava.
Os anos passaram, cheguei a idade adulta e até hoje tenho medo do escuro. Não do escuro do quarto. Afinal, só consigo dormir no breu.
Hoje sei que o que sempre temi foi apenas o desconhecido!
Afinal, quem não teme aquilo que não conhece que atire a primeira pedra. Não sou tão corajosa ao ponto de me lançar ao mar sem saber que espécies habitam no local. Já pensou mergulhar num rio de piranhas? Por isso, é melhor temer antes e só ter atitudes depois de se certificar que não há perigo.
O escuro é isso, é tudo aquilo que não me dá certeza, que me deixa intranqüila, um abismo para a paciência.
Eu queria não ter medo do escuro, mas acredito que é quase impossível. Na vida temos fases boas e ruins... e, é justamente na fase ruim que tudo escurece, acelerando meus batimentos cardíacos e dando calafrios parecidos aos que sentia na infância.
A conclusão disso tudo? Enquanto atravessar a fronteira da mudança de uma fase para outra da vida, sempre terei medo do escuro.
E você?
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