Um dia desses voltando para casa vi um menino sentado na sarjeta. O Negrinho era pequeno, de olhos grandes cor de jaboticaba, semblante triste, palidez mórbida, magrelo e sem camisa. Estava ali a fitar o horizonte sob o sol escaldante de meio dia.
Passei por ele, sem olhar pra trás... talvez fosse filho de um operário do condomínio. Afinal, por aqui muitas casas ainda estão em construção.
No dia seguinte no mesmo horário, a cena se repete. E, no outro dia também...
Meu encontro inesperado com aquela criatura tão melancólica era sempre no horário de almoço. Pensei até que seria miragem, efeito do calor e da fome sufocando o meu cérebro com imagens aborígenes. Lá estava o moleque a pestanejar sob os meus olhos outra vez.
Passaram-se os dias e ele se foi. Sumiu! Simplesmente escafedeu-se. Mas, a imagem dele continuava estática em meus pensamentos.
Dias depois, comentei com alguém: já viste aquele menino que fica sempre ali naquele canto por volta de meio dia? sabes quem é? a resposta veio e de pouco adiantou, parece que só eu tinha o infortúnio de ver a criatura.
O tempo passou e levou os resquícios daquela imagem gravada em minha memória. Até que um certo dia minha mãe chega rindo em casa, contando de uma velha esclerosada que teima em ligar para o síndico reclamando de um moleque, que não sai de frente da casa dela... que ele, o síndico, desse um jeito nisso. Afinal, dona Oscarina não sabia as intenções do garoto. "E, nesse mundo meu filho, já não se pode confiar em ninguém" ela vociferava ao telefone.
Fiquei perplexa ao ouvir o relato. E outra vez àquela imagem veio me assombrar. Eu disse: mãe! sei de quem dona Oscarina se refere. Ela não é louca! Ou será que também estou? mamãe disse que tudo não passava de bobagens. Vai ver que era o filho do carpinteiro, do pedreiro, do jardineiro...
Resolvi não dar trela, corri ao banheiro, precisava de uma ducha... já era quase hora de voltar ao batente.
A noite quando cheguei ao condomínio meus pensamentos eram outros... estava apaixonada e só pensava em chegar em casa, pegar o telefone e ouvir a voz dele...
Até que sem mais nem menos, do nada! me reaparece o garoto. Ai que susto!!! falei baixinho. Em questão de segundos olho de novo... fixamente o mesmo lugar... o menino já não estava lá. Dei de cara com um vaso de tajá, solitário em meio às plantas ressecadas do jardim de dona Oscarina.
Hoje sei que não sou louca. Agora entendo minhas visões e também a velha esclerosada. Quando um ser desencarnado se permite aparecer é sinal que ele quer se comunicar. E, não faz com todos o que só pode mostrar aos mais sensitivos. Foi quando descobri minha mediunidade.
5 comentários:
Foi serio isso?!!Meo Deos!!!Eu não passava mais pela frente da casa da Dona Oscarina!!!/O\ medo!!!
Em algum canto de nossa belém...sempre há alguém que diz: "juro que é verdade" ou "Vi alguma coisa ali,é sério"- alguns mais céticos preferem não acreditar que "essas coisas" são tão naturais como beber água.
ahehahehahehae presenciei isso algumas vezes...talvez um erro meu em brincar com o "dito cujo". Dizia: "ooooolha ele riu pra mim..."
Dona Oscarina é ?!Macumba isso sim ...Uma mudada na historia real mas resumindo é o que a Carla diz.
viu,quem manda ficar fazendo macumba! uhahuauha
zoeira...
credo, coisa boa n deve ser.
bjao
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